terça-feira, 8 de maio de 2012


BRICS (Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul) é uma associação de países emergentes que apresentam crescente e expressivo poder econômico, cuja união visa à cooperação para alavancar ainda mais suas economias e maior influência geopolítica, em escala global. Ainda que não seja uma Organização Internacional - porque não celebra algumas formalidades para ser reconhecida como tal - possui legitimidade e relevância no cenário internacional pela grande importância dos países que a constituem na economia mundial. Hipoteticamente, se a BRICS constituíssem Organização Internacional, caberia a ela tomar decisões jurídicas no âmbito do Direito Internacional, não como porta voz da vontade dos Estados membros, mas sim porque teria autonomia e personalidade jurídica distinta da dos Estados para tal. Como essa não é a realidade, a BRICS funciona como um “clube político”, onde os países membros têm pontos de vista semelhantes em alguns aspectos, mas também têm divergências, arestas, “aliados” e “inimigos”  históricos diferentes, e, como dito, não configuram uma organização internacional autônoma, soberana e com personalidade jurídica que prevaleça sobre esses fatores com um único interesse próprio que independa do interesse dos Estados membros. Há diversidade de interesses no interior das BRICS. Dentre os países membros, a Índia não é anti-ocidental como China e Rússia, que enxergam o mundo ocidental como inimigo a ser combatido desde a guerra fria. A China pretende tomar o lugar de maior potência mundial dos Estados Unidos, ultrapassando o poderio americano à medida que sua economia cresce, tendo os EUA como um obstáculo a ser ultrapassado.
Durante a administração Bush, tempos atrás, foi declarado abertamente que a política oficial dos Estados Unidos “ajudaria” a Índia a se tornar uma grande potência no século 21. Para o Presidente Bush tratava-se de um investimento estratégico que visava garantir o estatuto da Índia enquanto aliado norte-americano na Ásia. É claro que a frase “ajudar a Índia” é duvidosa. Frequentemente, as superpotências aceitam ceder uma parcela de poder às potências emergentes, mas só quando elas se mostram dispostas a moldar-se a imagem daquelas. A medida que os EUA cederam poder para ajudar no crescimento da Índia, em troca, a Índia abriu mão de parte de sua soberania em prol deste apoio, e por isso e outros fatores, tende a uma boa relação com o ocidente e, principalmente, com os Estados Unidos.
Uma boa relação com os Estados Unidos também é uma condição essencial para a Índia desempenhar um papel internacional mais importante. O comércio da Índia com os Estados Unidos e a sua dependência da tecnologia, educação e investimento americanos são cruciais para o desenvolvimento futuro da Índia. A proximidade com os Estados Unidos será igualmente uma alavanca importante para as relações da Índia com outros países. Ainda assim, ao mesmo tempo que aprofunda as suas ligações com os Estados Unidos, a Índia deve(ria) zelar por sua capacidade de determinar por si própria quais os seus interesses.
A Índia vem ganhando uma nova importância para os Estados Unidos como ferramenta para agregar à sua economia.Para os Estados Unidos, hoje, mais do que nunca, é importante ter a Índia como aliada porque ela cresce a índices semelhantes aos da China e, com isso, a China terá maior dificuldade em se isolar na briga como maior potência mundial. Os EUA querem ver a competição dos dois países na tentativa de conter o crescimento da China.
Hoje, décadas depois da guerra de 1962 entre Índia e China, os modelos de desenvolvimento político e econômico dos dois países continuam a ser fundamentalmente opostos. Ainda assim, nos últimos cinco anos, o comércio entre a Índia e a China aumentou quatro vezes, em função da BRICS, para 60 mil milhões de dólares. De fato, com essa aliança econômica, a China ganha força contra os Estados Unidos. Para além disso,  à medida que investe na África e na América Latina, a China alarga a sua influência a todos os vizinhos da Índia.
Por ser peça tão importante nesse jogo político e ter noção disso, a Índia teme que a Rússia e a China a queiram utilizar em suas disputas com o Ocidente. Ela suspeita que a China e a Rússia queiram usá-la como plataforma de sua rivalidade com o Ocidente, e não para alterar o sistema mundial  em busca por maior influência dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, e participação efetiva no conselho de segurança, uma vez que ambos já são membros permanentes do Conselho de Segurança. Portanto, a Índia vê a possibilidade de uma sub-parceria mais ativa dentro do Brics com o Brasil e a África do Sul (Ibas), que têm muito mais interesses comuns. Por isso, a Índia adota uma diplomacia multifacetada, que procura encontrar um equilíbrio entre China e Estados Unidos, para obter uma situação de duplo ganho.

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